Siglas do Mercado Financeiro: Guia Completo para Entender Tudo
CDI, SELIC, CET, IOF, IPCA, LCA, CDB — o mercado financeiro é cheio de siglas. Aprenda o significado de cada uma e como elas afetam seu bolso na prática.
Por que Entender as Siglas Financeiras é Urgente
Você já leu um contrato de empréstimo e encontrou termos como "CET", "IOF" e "TAC" sem entender o que significavam? Ou já ouviu que "o CDI subiu e isso afeta seus investimentos" sem saber exatamente como? Não está sozinho.
A falta de familiaridade com as siglas do mercado financeiro é uma das principais barreiras para que as pessoas tomem boas decisões financeiras. Este guia reúne as 25 siglas mais importantes — do básico ao intermediário — com explicações práticas e diretas.
Siglas de Taxas e Índices
SELIC — Sistema Especial de Liquidação e Custódia
A taxa SELIC é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central a cada 45 dias nas reuniões do Copom. Ela serve como referência para todas as taxas do mercado: quando a SELIC sobe, os empréstimos ficam mais caros e os investimentos de renda fixa rendem mais. Quando cai, o crédito barateia.
Em agosto de 2026, a SELIC está em 10,50% ao ano.
CDI — Certificado de Depósito Interbancário
O CDI é a taxa que os bancos cobram uns dos outros para empréstimos de curtíssimo prazo (overnight). Na prática, o CDI anda muito próximo da SELIC e serve como referência para investimentos de renda fixa: CDBs, LCIs, LCAs e fundos DI geralmente rendem uma porcentagem do CDI (ex.: "CDB 110% do CDI").
IPCA — Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
O IPCA é o índice oficial de inflação do Brasil, calculado mensalmente pelo IBGE. Ele mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos pela população. É usado para corrigir contratos, salários, financiamentos e como base para títulos como o Tesouro IPCA+.
IGP-M — Índice Geral de Preços — Mercado
O IGP-M (ou "inflação do aluguel") é calculado pela FGV e muito utilizado para reajuste de contratos de locação e contas de energia. Ele pode variar mais que o IPCA por incluir preços no atacado e na construção civil.
Siglas de Crédito e Empréstimo
CET — Custo Efetivo Total
O CET é o custo real de um empréstimo ou financiamento, expresso em percentual ao mês ou ao ano. Ele engloba não só a taxa de juros nominal, mas também: IOF, tarifa de cadastro (TAC), seguros obrigatórios e qualquer outra taxa embutida no contrato.
Exemplo: Um empréstimo com taxa de 2% ao mês pode ter CET de 2,8% ao mês quando incluídos todos os encargos. Sempre compare o CET, não apenas a taxa nominal.Por lei (Resolução BCB nº 3.517), toda instituição financeira é obrigada a informar o CET antes de você assinar o contrato.
IOF — Imposto sobre Operações Financeiras
O IOF é um imposto federal cobrado sobre operações de crédito, câmbio, seguros e títulos. Em empréstimos pessoais, incide sobre o valor total do crédito e varia de acordo com o prazo:
- •0,38% fixo sobre o valor total
- •0,0041% ao dia (para pessoas físicas) sobre o saldo devedor, limitado a 1,5% ao ano
Em empréstimos de curto prazo, o IOF pode representar uma fatia significativa do custo. No empréstimo FGTS, o IOF também é cobrado.
TAC — Tarifa de Abertura de Crédito
A TAC era uma tarifa cobrada por bancos para "abrir" um processo de crédito. O Banco Central proibiu a cobrança de TAC para pessoas físicas em contratos de crédito pessoal desde 2008, mas ela pode aparecer em outros formatos ou nomes. Fique atento.
TR — Taxa Referencial
A TR é uma taxa criada em 1991 para corrigir aplicações financeiras. Hoje ela é praticamente zero e é usada principalmente na correção do FGTS (que rende 3% ao ano + TR) e em financiamentos habitacionais do SFH (Sistema Financeiro de Habitação).
Siglas de Proteção de Crédito
SPC — Serviço de Proteção ao Crédito
O SPC é um banco de dados mantido pelas Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDL) que registra inadimplências no comércio. Quando você atrasa uma dívida com uma loja, financeira ou banco, pode ser negativado no SPC. Isso impacta o seu score de crédito e dificulta aprovação de novos créditos.
Serasa Experian
O Serasa é uma empresa de análise de crédito (não uma sigla, mas frequentemente tratada como referência). É responsável pelo Serasa Score, o indicador de crédito mais consultado no Brasil pelos bancos e fintechs. Mantém também o Serasa Limpa Nome para renegociação de dívidas.
SCPC — Serviço Central de Proteção ao Crédito
O SCPC é outro banco de dados de inadimplência, mantido pela Boa Vista Serviços. Funciona de forma similar ao SPC, mas tem maior concentração em determinadas regiões e setores.
Siglas de Investimento
CDB — Certificado de Depósito Bancário
O CDB é um título emitido por bancos para captar dinheiro dos investidores. Em troca, o banco paga uma rentabilidade (geralmente atrelada ao CDI). CDBs têm cobertura do FGC de até R$ 250.000 por CPF por instituição.
LCI e LCA — Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio
São títulos emitidos por bancos para financiar os setores imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA). A principal vantagem: isenção de IR para pessoas físicas. Em geral rendem entre 90% e 100% do CDI com carência mínima.
FGC — Fundo Garantidor de Créditos
O FGC é uma entidade privada que garante os depósitos de clientes em bancos em caso de falência. A cobertura é de até R$ 250.000 por CPF por conglomerado financeiro e até R$ 1 milhão por CPF no total (em um período de 4 anos).
Siglas Regulatórias
BCB — Banco Central do Brasil
O Banco Central é o regulador e supervisor do sistema financeiro nacional. É ele quem define a SELIC, regula as taxas cobradas pelos bancos, emite normas para empréstimos e fiscaliza as fintechs. Qualquer instituição que ofereça crédito precisa ser autorizada pelo BCB.
Copom — Comitê de Política Monetária
O Copom é o comitê do Banco Central que se reúne a cada 45 dias para definir a taxa SELIC. As decisões são acompanhadas de perto pelo mercado financeiro pois impactam toda a economia — desde o custo do crédito até a rentabilidade dos investimentos.
CMN — Conselho Monetário Nacional
O CMN é o órgão máximo do sistema financeiro brasileiro, composto pelo Ministro da Fazenda, Ministro do Planejamento e o Presidente do Banco Central. Define as diretrizes de política monetária e cambial.
CVM — Comissão de Valores Mobiliários
A CVM regula e fiscaliza o mercado de capitais: ações, fundos de investimento, debêntures, ETFs. Se você investir em qualquer produto de renda variável, a CVM é quem garante as regras do jogo.
Siglas de Crédito Imobiliário
FGTS — Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
O FGTS é um fundo compulsório onde empregadores depositam 8% do salário do empregado mensalmente. O trabalhador pode usar o FGTS para comprar imóvel, em caso de demissão sem justa causa, doenças graves, ou antecipação via empréstimo (modalidade saque-aniversário).
SFH — Sistema Financeiro de Habitação
O SFH é o modelo de financiamento imobiliário com taxas reguladas pelo governo, voltado para imóveis de até R$ 1,5 milhão. Usa recursos do FGTS e da poupança. A taxa máxima de juros é de 12% ao ano + TR.
SFI — Sistema de Financiamento Imobiliário
O SFI é o sistema para imóveis acima do limite do SFH. As taxas não são tabeladas pelo governo e são definidas livremente pelos bancos. Em geral, costuma ter taxas maiores que o SFH.
Resumo Rápido
| Sigla | O que é | Impacto no seu bolso |
|---|---|---|
| SELIC | Taxa básica de juros | Sobe = crédito mais caro |
| CDI | Taxa interbancária | Referência dos investimentos |
| IPCA | Inflação oficial | Corrói poder de compra |
| CET | Custo real do empréstimo | Sempre compare antes de contratar |
| IOF | Imposto sobre crédito | Aumenta o custo do empréstimo |
| FGC | Proteção de depósitos | Segurança de até R$ 250 mil |
| FGTS | Fundo trabalhista | Pode ser antecipado via empréstimo |
Guardar essas siglas é o primeiro passo para tomar decisões financeiras mais conscientes e não ser pego de surpresa na hora de contratar um crédito ou fazer um investimento.
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